21 jun 2017

Auto-conhecimento

O poder de sedução das telas

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Peugeot 3008: ninguém resiste aos encantos que vêm do monitor no painel (foto: divulgação)

Em conversas com executivos de montadoras tempos atrás, fiquei sabendo que o volante era o primeiro foco de atenção para quem entra no carro. Meus interlocutores não souberam apontar ao certo se esse comportamento se devia a questões psicológicas, uma vez que lá está o principal comando do carro, que determina a direção a seguir, ou seja, tem um poder simbólico, ou se devia a questões de apelo visual, considerando que vários recursos migraram do painel para ali, ou seja, tem um poder prático mesmo.

O tempos mudaram. A julgar pela minha própria experiência e por um felling, arrisco a dizer que o ponto de atração quando se coloca os olhos no interior do automóvel passou a ser telas, monitores, centrais multimídia e afins. Estrategicamente posicionados no painel ou no console, esses equipamentos roubam a cena pela imponência e abrangência de suas dimensões, já quando desligados; quando em operação, daí é covardia. Coloridos e de acesso intuitivo, são um convite aos olhos e, ato contínuo, aos dedos. Graças aos aparelhos celulares, estamos condicionados a decifrá-los, interpretá-los, desafiá-los e colocá-los em funcionamento sem receios, ao simples movimento dos dedos.

A proliferação de telas ao nosso redor, cotidianamente, faz com que consideremos normal acessar o mundo de fora dali de dentro do carro, acionando recursos que vão desde câmeras para estacionar o veículo, sensores de monitoramento do entorno, passando por mapas e internet até chegar no entretenimento puro, como canais de televisão e filmes.

Claro que, quanto mais sofisticado o veículo, mais rebuscadas as possibilidades. Mas o fato é que, se há pouco tempo essas telas estavam presentes em modelos de ponta, hoje em dia elas já começam a se popularizar em veículos intermediários do mercado. Semana passada andei no Honda WR-V e, esta semana, no Renault Captur e no novíssimo Peugeot 3008 e vi que todos dispunham, com maior ou menor grau de complexidade e sofisticação, uma baita tela no painel, exibindo-se faceira para a audiência interna.

Renault Captur: por trás daquelas cores no painel, um mundo do lado de fora…(foto: divulgação)

Depois se dar conta desses apetrechos, não dá para dirigir sem bater os olhos e os dedos em sua superfície. De tão condicionados que estamos a ver o mundo enquadrado em imagens, é de se perguntar se, em um futuro não muito longe, haverá uma câmera na parte frontal do automóvel e, em vez de olhar para o parabrisa, iremos dirigir mirando uma central multimídia. A conferir…

*Do Rio de Janeiro. Viagens a convite da Renault do Brasil e da Peugeot do Brasil

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